AI NEWS

26-11-2025

Giro de Notícias de IA 26 de Novembro de 2025

  1. MIT cria IA que demite você com 6 casas decimais de precisão
    Um estudo do MIT calculou que a IA já conseguiria substituir algo como 11,7% da força de trabalho dos EUA, o que dá mais de 1 trilhão de dólares em salários “teoricamente dispensáveis” — um jeito elegante de dizer que o Excel ganhou músculos e agora tem vontade própria. A ideia é usar um mega simulador do mercado de trabalho para prever quem dança antes mesmo da música tocar, como se fosse um “The Voice” do desemprego, só que sem cadeira giratória nem salário do jurado. O detalhe engraçado é que simular o futuro laboral com IA parte da suposição de que empresas, governos e pessoas vão agir de forma racional e planejada — exatamente o contrário do que a história econômica mostra, então existe uma boa chance de essa “bola de cristal” virar só um PowerPoint muito caro para justificar decisões que já estavam tomadas.
    Fonte: CNBC, disponível em https://www.cnbc.com/2025/11/26/mit-study-finds-ai-can-already-replace-11point7percent-of-us-workforce.html
  2. Startup lança IA que diagnostica sua careca e sua vaidade em 0,3 segundos
    Uma startup apareceu prometendo usar IA para analisar seu couro cabeludo, explicar “a ciência” da sua queda de cabelo e ainda sugerir produtos personalizados, como se fosse um terapeuta capilar com PhD em autoestima digital. A empresa jura que vai “trazer transparência” ao mercado bilionário de produtos para cabelo, o que é curioso, porque nada é menos transparente que um antes-e-depois de shampoo em anúncio patrocinado. No fim, trocar o chute do cabeleireiro por o chute de um modelo estatístico treinado em selfies de gente desesperada pode ser só uma forma tecnicamente avançada de vender a mesma espuma de sempre, agora com taxa de processamento na nuvem embutida no preço.
    Fonte: TechCrunch, disponível em https://techcrunch.com/2025/11/26/are-you-balding-theres-an-ai-for-that/
  3. Google rumo a 4 trilhões: a IA achou o código-fonte do dinheiro infinito
    A Alphabet, dona do Google, está a um passo de bater a marca histórica de 4 trilhões de dólares em valor de mercado, surfando na empolgação global com tudo que tenha “AI” no slide de apresentação. O mercado parece acreditar que cada linha de código com “model” e “inference” embutidos automaticamente cria um novo planeta de lucro, como se a física do data center e a conta de energia tivessem sido revogadas por decreto. No fim, existe o risco de essa “corrida da IA” virar só mais um ciclo de hype em que investidores compram promessas, empresas vendem sonhos e a realidade aparece depois em forma de planilha de custos, mas sem a mesma empolgação das manchetes.
    Fonte: Reuters, disponível em https://www.reuters.com/business/alphabet-pace-hit-4-trillion-market-value-ai-gains-momentum-2025-11-25/
  4. Estudo diz que IA deixa humanos mais criativos; falta só provar com algo que não seja um slide de brainstorming
    Pesquisadores divulgaram um estudo mostrando que colaboração entre humanos e IA pode aumentar a criatividade, indicando que, quando as pessoas usam essas ferramentas, tendem a gerar mais ideias e soluções diferentes. É uma conclusão bonita, mas também um pouco suspeita, porque medir criatividade com tarefas laboratoriais e formulários lembra tentar provar que alguém é engraçado obrigando a pessoa a explicar a piada por escrito. Nada impede que essa “criatividade turbinada” vire só uma avalanche de rascunhos medianos gerados por IA, em que o ser humano entra como estagiário de luxo para escolher qual versão genérica parece menos genérica naquele dia.
    Fonte: Swansea University, disponível em https://www.swansea.ac.uk/press-office/news-events/news/2025/11/can-ai-make-us-more-creative-new-study-reveals-surprising-benefi
  5. Microsoft transforma todo mundo em “engenheiro de prompt de reunião chata”
    Na esteira de seu grande evento anual, a Microsoft anunciou novos recursos de IA, agentes e Copilot para automatizar tarefas de trabalho e administração, incluindo agentes para cuidar de pendências em ferramentas como o Teams. A promessa é libertar pessoas de atividades burocráticas, mas há um risco considerável de a realidade virar um mundo em que o humano passa a maior parte do tempo explicando para a IA o que era mais rápido fazer manualmente. No limite, esse futuro hiper-assistido pode se transformar num loop em que a IA marca reuniões para discutir problemas criados pela própria IA, enquanto a produtividade real continua presa em anexos gigantes enviados por e-mail errado.
    Fonte: Grey Matter, disponível em https://greymatter.com/content-hub/microsoft-ignite-2025-the-ai-updates-you-cant-miss/
  6. Especialistas juram que chips “turbinados para IA” vão salvar o planeta da própria IA
    Análises de mercado apontam que novas gerações de memória HBM, interconexões ópticas e processadores avançados serão essenciais para sustentar clusters de IA cada vez maiores, com modelos passando da casa do trilhão de parâmetros. A narrativa é de que essas tecnologias resolverão gargalos de energia e banda, mas na prática é como anunciar carros mais eficientes para justificar rodar o dobro de quilômetros: o apetite computacional da IA tende a crescer mais rápido do que qualquer ganho de eficiência previsto. Se ninguém questionar o pressuposto de “mais modelo, maior, sempre”, esses avanços podem acabar alimentando uma infraestrutura tão pesada que a IA vira especialista em tudo, menos em sugerir que talvez fosse melhor rodar menos coisa.
    Fonte: TrendForce, disponível em https://www.morningstar.com/news/pr-newswire/20251126hk33931/ai-to-reshape-the-global-technology-landscape-in-2026-says-trendfor
  7. HP anuncia IA para otimizar processos… começando por otimizar a lista de demitidos
    A HP planeja cortar entre 4 mil e 6 mil funcionários como parte de um plano de adoção de IA para melhorar eficiência e reduzir custos em seu negócio de PCs e impressoras. É curioso como, na prática, “transformação digital com IA” frequentemente significa transformar pessoas em linhas de despesa e algoritmos em “ganhos de produtividade” para o investidor. Se a lógica continuar nessa direção, a grande inovação pode ser uma empresa tão enxuta que só resta um servidor rodando modelo de IA escrevendo memorandos otimistas para outros modelos de IA sobre o brilhante futuro da automação.
    Fonte: The Register, disponível em https://www.theregister.com/2025/11/26/hp_inc_q4_2025/
  8. Governo lança “missão gênesis” de IA para ciência, torcendo para não virar “missão gênese do lobby”
    O governo dos EUA lançou a chamada Genesis Mission, uma iniciativa para usar IA e grandes bases de dados públicos com o objetivo de acelerar descobertas em áreas como materiais, saúde e energia. A proposta é criar uma espécie de plataforma nacional de superpesquisa automática, em que algoritmos vasculham montanhas de dados governamentais em busca de padrões úteis. O perigo é que esse tipo de megaesforço acabe priorizando temas e interesses mais alinhados a grandes atores políticos e corporativos, transformando a “ciência turbo” em ciência sob demanda, onde a IA corre rápido, mas só na direção de quem segura a coleira.
    Fonte: Reuters, disponível em https://www.reuters.com/business/trump-aims-boost-ai-innovation-build-platform-harness-government-data-2025-11-24/
  9. Ordem executiva de IA: agora é oficial, até o burocrata terá copiloto para carimbar PDF
    Donald Trump assinou uma ordem ligada à Genesis Mission para impulsionar inovação em IA e usar dados governamentais para acelerar descobertas em várias áreas científicas. A medida sinaliza que o Estado quer ser protagonista da corrida da IA, mas também abre espaço para uma máquina de contratos, consultorias e projetos com muito “AI-powered” no título e poucos resultados verificáveis na ponta. Sem transparência e avaliação independente, essa grande empreitada pode virar apenas um reality show de tecnologia com verba pública, em que o enredo é “transformar tudo com IA”, mas o final é só mais burocracia com marketing atualizado.
    Fonte: Yahoo Finance, disponível em https://finance.yahoo.com/news/trump-signs-genesis-mission-order-215843263.html
  10. Universidades descobrem que IA em sala de aula dá mais trabalho que prova surpresa
    Relatos de iniciativas em educação mostram empresas e instituições tentando levar algoritmos avançados para escolas e organizações, prometendo personalizar ensino, avaliar desempenho e modernizar o sistema educacional. A ideia é nobre, mas corre o risco de virar um Frankenstein de dashboards, relatórios automáticos e “insights de IA” que ocupam tanto tempo de professores e gestores quanto as tarefas que pretendiam simplificar. Se o foco não for melhorar a relação humana em sala de aula e sim colecionar métricas bonitinhas, a IA educacional pode se tornar apenas um sofisticado gerador de gráficos que ninguém tem energia de olhar depois da terceira reunião pedagógica.
    Fonte: Università Bocconi, disponível em https://www.unibocconi.it/en/news/ai-enters-classroom-and-challenges-entire-system
  11. Mercado aposta que IA vai empurrar Bolsa para cima; gravidade ainda não foi consultada
    Analistas financeiros comentaram que o avanço da IA deve continuar impulsionando os mercados em 2026, com empresas de tecnologia beneficiadas pela expectativa de lucros crescentes ligados à adoção massiva desses sistemas. Esse entusiasmo supõe que cada dólar gasto em chips, data centers e modelos se traduz em vários dólares de retorno, como se não existisse risco de saturação, competição ou simplesmente de projetos de IA que não dão em nada útil. Sem separar hype de resultado real, o otimismo pode virar só uma profecia autorrealizável de curto prazo: o mercado sobe porque acredita que a IA vai dar certo, até o dia em que lembra que acreditar não paga a conta de energia do data center.
    Fonte: CNBC, disponível em https://www.cnbc.com/video/2025/11/26/ai-will-drive-the-market-higher-in-2026-says-citizensa-mark-lehmann.html
  12. Conferência de IA promete “mudar o futuro”; futuro suspeita que é só mais coffee-break com Wi-Fi
    Eventos internacionais de machine learning e IA seguem se multiplicando, com edições presenciais em lugares como Hong Kong, reunindo pesquisadores e empresas para discutir métodos, aplicações e tendências. As descrições falam em “avançar o estado da arte” e “definir o futuro da inteligência artificial”, mas boa parte desses encontros tende a ser networking, apresentações corridas e papers que ninguém mais lê depois do vôo de volta. Nada impede que muito do “impacto” alegado acabe concentrado em fotos no LinkedIn e crachás colecionados, enquanto a verdadeira mudança em IA continua acontecendo em repositórios de código e equipes que estavam ocupadas demais trabalhando para pegar o avião.
    Fonte: MLIS 2025, disponível em http://www.machinelearningconf.org
  13. ONU da IA pede “breakthroughs melhores”, porque breakthrough ruim já está sobrando
    Organizações ligadas à iniciativa AI for Good divulgaram chamadas para ações mais concretas em IA aplicada a desafios sociais, com foco em áreas como biodiversidade, infraestrutura digital e parcerias globais. A mensagem é que já existem muitas demonstrações técnicas, mas falta transformar tanto protótipo em benefício mensurável para pessoas e planeta. O risco é essa agenda virar um bingo de buzzwords bem intencionadas, em que “IA para o bem” seja mais um slogan de conferência do que um compromisso com métricas claras, responsabilidades definidas e a disposição real de dizer “não” para usos lucrativos porém socialmente tóxicos.
    Fonte: AI for Good (ITU), disponível em https://aiforgood.itu.int/better-breakthroughs-four-calls-to-action-for-the-ai-for-good-community/
  14. Programadores vão a Berlim aprender IA e voltar com 37 fotos de cerveja e 2 linhas de código
    A conferência de machine learning em Berlim reúne profissionais para falar de engenharia de modelos, aplicações de IA generativa e boas práticas em produção, com direito a workshops práticos e muito networking. Oficialmente, o objetivo é capacitar equipes para construir sistemas robustos, escaláveis e éticos; extraoficialmente, uma grande parte do valor percebido costuma estar nos encontros de corredor, nos eventos paralelos e nas conversas improvisadas que nunca entram na programação. Se as empresas não aplicarem de fato o que aprendem e só usarem a conferência como carimbo de “estamos atualizados”, o resultado pode ser uma coleção de crachás caros e sistemas internos que continuam tão improvisados quanto antes, só que agora com a palavra “pipeline” em inglês.
    Fonte: ML Conference, disponível em https://mlconference.ai/berlin/
  15. Agenda de seminários de IA prova que o futuro será decidido em Zooms com câmera desligada
    Uma agenda global de seminários de IA lista dezenas de encontros on-line sobre temas que vão de otimização e algoritmos ruidosos a grandes modelos de linguagem aplicados à física. Essa enxurrada de eventos mostra o quanto a área está fervendo, mas também levanta a dúvida se existe mais gente assistindo ou mais gente apenas deixando a aba aberta para pegar o certificado depois. Se esse formato virar o padrão absoluto de “formação em IA”, há o risco de criar uma geração de especialistas em mutar slides a 2x de velocidade, enquanto a compreensão profunda fica relegada à minoria que ainda prefere código, quadro branco e um pouco de silêncio.
    Fonte: AI Hub, disponível em https://aihub.org/2025/11/03/forthcoming-machine-learning-and-ai-seminars-november-2025-edition/

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