A Inteligência Artificial (IA) que conhecemos hoje, com modelos avançados como o Grok, tem raízes profundas na história da humanidade. A busca por máquinas que imitam ações inteligentes remonta à antiguidade, passando por invenções mecânicas impressionantes até o nascimento formal do campo na década de 1950. Neste artigo, exploramos alguns marcos fascinantes dos primórdios da IA, com curiosidades que mostram como o sonho de criar “máquinas pensantes” sempre fascinou inventores e pensadores.
O Primeiro “Robô” da História: O Pombo Mecânico de Arquitas
Considerando um robô como qualquer máquina capaz de se mover de forma autônoma, um dos primeiros dispositivos automatizados conhecidos foi criado por Arquitas de Tarento (c. 428–347 a.C.), um filósofo, matemático e engenheiro grego da antiguidade.
Arquitas construiu um pombo mecânico de madeira, propelido a vapor (ou ar comprimido), que podia voar por cerca de 200 metros. Suspenso por fios ou impulsionado por jato de vapor, esse autômato é considerado o primeiro dispositivo voador autopropelido da história. Imagine: mais de 2.400 anos atrás, alguém já criava uma “máquina voadora” autônoma!

Essa invenção não só demonstra o engenho mecânico dos gregos antigos, mas também antecipa conceitos de automação e movimento autônomo que são centrais na robótica moderna.
Os Leões Mecânicos de Leonardo da Vinci
Avançando para o Renascimento, Leonardo da Vinci (1452–1519), o gênio polímata, criou autômatos impressionantes que encantavam reis e nobres.
- Em 1509-1512, ele projetou um leão mecânico para celebrar a entrada do rei Luís XII da França em Milão. O autômato podia se mover e, em algumas versões, apresentar símbolos reais.
- Em 1515, Leonardo criou outro leão mecânico para o rei Francisco I, apresentado em Lyon. Esse leão andava autonomamente, movia a cabeça e, quando o rei o tocava com a espada, abria o peito revelando lírios (fleurs-de-lis), o símbolo da monarquia francesa. Era um presente diplomático do Papa Leão X, cheio de simbolismo (leão representando Florença e o próprio Leonardo, cujo nome significa “forte como leão”).
Esses autômatos usavam mecanismos de engrenagens, cordas e molas – verdadeiras maravilhas da engenharia renascentista.



Curiosidade: Esses leões foram reconstruídos nos tempos modernos e ainda impressionam pela sofisticação!
Uma Curiosidade Moderna: O Pássaro Mecânico de Lego Technic
Para ilustrar conceitos antigos de programação de forma tangível, construtores modernos recriam autômatos com Lego Technic. Um exemplo fascinante é um pássaro mecânico (inspirado em pombos ou aves) com uma grande roda de programação no centro.
Essa roda funciona como um “cartão perfurado” antigo ou memória ROM: pinos representam “bits” (1 = toca nota/som, 0 = silêncio), criando sequências musicais ou movimentos. A roda giratória visualiza o conceito de loop de execução (o “main loop” dos programas de computador), onde instruções são repetidas continuamente.
Esses modelos educativos conectam a automação mecânica histórica aos fundamentos da programação atual.
![LEGO EV3 Building Instructions - BIRD TUTORIALS - [design by I LEGO U]](https://i.ytimg.com/vi/oHPOQdCfcsc/hq720.jpg?sqp=-oaymwEhCK4FEIIDSFryq4qpAxMIARUAAAAAGAElAADIQj0AgKJD&rs=AOn4CLCfqGUU1GUa4hl-cei2G_Brv7C5oQ)
LEGO EV3 Building Instructions – BIRD TUTORIALS – [design by I LEGO U]
O Nascimento Oficial da IA: A Conferência de Dartmouth (1956)
Avançando para o século XX, o campo da Inteligência Artificial foi oficialmente batizado em 1956, durante a Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence, organizada por John McCarthy, Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon.
Nesse evento seminal, foi apresentado o Logic Theorist, desenvolvido por Allen Newell e Herbert Simon – o primeiro programa capaz de simular o raciocínio humano para provar teoremas matemáticos. Os participantes acreditaram que, em poucas décadas, máquinas poderiam realizar qualquer tarefa intelectual humana.

The Meeting of the Minds That Launched AI – IEEE Spectrum
Curiosidade: A conferência durou cerca de 8 semanas e reuniu visionários que moldaram o futuro da computação.
O Perceptron: O Primeiro Modelo de Rede Neural (1958)
Em 1958, Frank Rosenblatt criou o Perceptron, um modelo inspirado no cérebro humano. Era uma rede com unidades sensoriais conectadas a uma camada de neurônios (baseados no modelo de McCulloch e Pitts, de 1943), capaz de aprender padrões por tentativa e erro.
Rosenblatt afirmava que o Perceptron poderia aprender qualquer coisa que pudesse representar – um precursor das redes neurais profundas de hoje. Construído como hardware (Mark I Perceptron), causou furor na mídia, sendo chamado de “embrião de computador que poderia andar, falar e até se reproduzir”.


Embora limitado (criticado em 1969 por Minsky e Papert), o Perceptron pavimentou o caminho para o renascimento das redes neurais décadas depois.
Conclusão: Uma Jornada Milenar
Dos pombos voadores da Grécia antiga aos perceptrons da era computacional, os primórdios da IA mostram que a humanidade sempre sonhou com máquinas inteligentes. Hoje, no portal ia.pro.br, acompanhamos como esses sonhos se tornaram realidade – e o que ainda está por vir. Qual curiosidade histórica da IA mais te surpreende? Compartilhe nos comentários!
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Graduado em Ciências Atuariais pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Mestrando em IA no Instituto de Computação da UFF (nota máxima no CAPES). Palestrante e Professor de Inteligência Artificial e Linguagem de Programação; autor de livros, artigos e aplicativos.
Professor do Grupo de Trabalho em Inteligência Artificial da UFF (GT-IA/UFF) e do Laboratório de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade (LITS/UFF), entre outros projetos.
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