
Gemini Nano BananaPRO
Em 1926, quando os primeiros aparelhos de televisão começaram a se popularizar, algo curioso aconteceu nos bastidores dos teatros: atores e atrizes acreditaram que estavam diante do apocalipse profissional.
Se a TV podia gravar uma peça uma vez e transmiti-la infinitamente, por que alguém pagaria para ver teatro?
Hoje, quase cem anos depois, sabemos o que de fato ocorreu:
A TV democratizou o entretenimento.
O teatro se transformou em uma arte de experiência, presença e profundidade.
Ambos sobreviveram — porque não faziam a mesma coisa.
No final dos anos 80, outro medo reapareceu, agora entre desenhistas.
O Corel Draw surgia como um fantasma tecnológico.
“Agora qualquer um vai desenhar. Acabou nossa profissão.”
E o que aconteceu?
O desenho não morreu.
O design explodiu para áreas que jamais imaginávamos: engenharia, biologia, matemática, publicidade, arquitetura, computação gráfica.
A vetorização não substituiu o artista; ela o expandiu para lugares que lápis e tinta jamais chegariam.
Toda nova linguagem tecnológica começa assim:
Primeiro com medo.
Depois com adaptação.
E finalmente com expansão.
E é exatamente esse filme que estamos vivendo com a Inteligência Artificial agora.
1. A IA não elimina competências — ela derruba barreiras
Antes, para programar era preciso dominar sintaxe, algoritmos, estruturas internas da máquina.
Para criar arte hiper-realista, anos de treino em óleo, luz, anatomia.
Para analisar dados médicos, décadas de formação.
A IA não “faz no lugar do humano”.
Ela reduz a fricção técnica entre o humano e o resultado.
Assim como:
- A TV removeu a limitação física do palco.
- O Corel removeu a limitação manual do traço.
A IA remove a limitação operacional da inteligência.
Ela dá ao biólogo o poder de programar.
Ao professor, o poder de criar conteúdos interativos complexos.
Ao advogado, a capacidade de revisar contratos em velocidade absurda.
Ao designer, a possibilidade de materializar universos inteiros em minutos.
2. A migração do valor: do executor para o diretor
Toda tecnologia que amplia capacidades move o valor humano para outro lugar.
Com o teatro → a TV, o valor saiu da presença obrigatória para a narrativa audiovisual.
Com o desenho → o Corel, o valor saiu do retoque perfeito para a composição criativa.
Com a IA, o valor está migrando da execução para a curadoria.
A máquina gera opções.
O humano dá direção.
A máquina produz variações.
O humano define intenção.
A máquina oferece caminhos.
O humano decide qual faz sentido ético, estético, estratégico, emocional.
Nunca fomos tão necessários — só que em outro nível cognitivo.
3. Estamos vivendo o “teleteatro” da IA
Quando a televisão nasceu, ninguém sabia usá-la de verdade: filmavam peças de teatro.
O telejornal, o reality show, o videoclipe, a linguagem televisiva… levaram décadas para surgir.
Hoje, estamos usando a IA para fazer “peças de teatro” digitais:
Responder e-mail, resumir texto, escrever uma explicação que já sabíamos produzir.
Mas os novos formatos estão surgindo:
Ciência acelerada
Proteínas dobradas, simulações biológicas complexas.
Entretenimento generativo
Filmes com finais dinâmicos, livros que mudam conforme você avança.
Educação hiper-personalizada
Tutoria que entende suas lacunas melhor do que você.
Indústrias inteiras reorganizadas
Logística, diagnóstico, engenharia, direito — tudo acompanhado por inteligência contínua.
Estamos só na infância da nova linguagem.
A televisão da IA ainda nem inventou seu telejornal.
4. Não estamos vendo o fim de nada — estamos vendo o início de tudo
Nenhuma revolução tecnológica extinguiu a criatividade humana.
Mas todas ampliaram seu alcance.
A TV não matou o teatro.
O Corel não matou o desenho.
A IA não matará a arte, o código, o texto ou o raciocínio.
Ela fará algo muito mais profundo:
Ela expandirá a inteligência humana da mesma forma que a eletricidade expandiu a força física.
O risco não é ser substituído pela IA.
O risco é ser superado por quem souber dialogar com ela.
A história sempre se repete — e ela sempre favorece quem entende que toda nova linguagem não é o fim de uma era.
É apenas o começo da próxima.

Graduado em Ciências Atuariais pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Mestrando em IA no Instituto de Computação da UFF (nota máxima no CAPES). Palestrante e Professor de Inteligência Artificial e Linguagem de Programação; autor de livros, artigos e aplicativos.
Professor do Grupo de Trabalho em Inteligência Artificial da UFF (GT-IA/UFF) e do Laboratório de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade (LITS/UFF), entre outros projetos.
Proprietário dos portais:🔹 ia.pro.br🔹 ia.bio.br🔹 ec.ia.br🔹 iappz.com🔹 maiquelgomes.com🔹 ai.tec.reentre outros.
💫 Apaixonado pela vida, pelas amizades, pelas viagens, pelos sorrisos, pela praia, pelas baladas, pela natureza, pelo jazz e pela tecnologia.